por Juliana Paolucci, sócia-diretora de inovação da LAJE
 
Acredito no presente. Acredito que o futuro não é dado, mas construído: a concretização de tendências e previsões depende das ações do presente. Sendo assim, as habilidades de liderança que vão guiar as organizações para um futuro promissor precisam ser postas em prática hoje, agora.
 
Frente à complexidade e à incerteza da nossa realidade, como já dizia Heráclito, só nos resta uma constante: a mudança. Mudança essa que empolga, mas assusta. Potencializa, mas amedronta.
 
Para navegarmos em contextos cada vez mais ambíguos, Nassim Taleb nos aponta um caminho: a antifragilidade. Ser antifrágil nos leva a nos beneficiarmos do caos. Muito além da resiliência, que caracteriza o que volta sem danos ao lugar de origem após sofrer determinado estresse, na antifragilidade evoluímos a partir do estresse — não retornamos os mesmos, mas melhores. A antifragilidade é a habilidade de transformação à qual se referia Charles Darwin ao afirmar que não são os mais fortes nem os mais inteligentes que sobrevivem, mas os que melhor respondem à mudança.
 
Um quesito fundamental para a transformação, no entanto, é o aprendizado. Ou melhor, o reaprendizado. Lifelong learning já é uma realidade, e precisamos lidar com o fato de que a cada amanhecer surgem mais coisas para aprendermos — e que o primeiro passo para o aprendizado é assumir que não sabemos. Ou seja, aquele líder que acha que tem todas as respostas já não cabe mais.
 
Abrem-se as portas para o líder facilitador: o que não é o protagonista, mas sim catalisador da inteligência e da criatividade coletivas. Este líder é aquele que se preocupa em ouvir de forma ativa e em garantir um espaço seguro para a experimentação e para o erro, criando um ambiente muito mais propício à inovação.
 
A liderança facilitadora é muito mais humana e tem como princípio a conexão entre as pessoas. E sobre humanidade e conexão, Brené Brown nos aponta um ingrediente fundamental: a (tão temida) vulnerabilidade. O líder facilitador tem a ousadia e a sensibilidade de se mostrar vulnerável, passando a ser visto não como fraco, mas como “gente como a gente”. Assim, ele fomenta que o time se integre, colabore e construa junto com ele.
 
Repare que, ao tratar das habilidades de liderança do presente, mencionei antifragilidade, aprendizado constante, escuta ativa e vulnerabilidade — aspectos que são essencialmente humanos. Estamos caminhando para que a tecnologia assuma todas as atividades que são automatizáveis. Bom para nós. Sobra cada vez mais espaço para desenvolvermos o que, de fato, nos diferencia: a criatividade e o potencial das relações.