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Por Hannah Chamon.
 
O contexto em que estamos vivendo nos faz buscar outras formas de trabalho, intensa e rapidamente. Para as organizações, isso significou, em diversos casos, montar uma operação virtual com home office, rever decisões e ajustar rotas. Com tantas mudanças, precisamos dar um passo para trás e repensar esses novos ambientes antes de cobrar resultado e performance. É preciso repensar a forma como nos relacionamos com os nossos times e colaboradores para que se possa construir times psicologicamente seguros.
 
O conceito surgiu com a professora e PhD de Harvard Amy Edmondson, que diz que temos segurança psicológica quando “as pessoas se sentem seguras para compartilharem suas ideias, dúvidas, reclamações, feedbacks e erros, sem medo de serem punidas ou julgadas por isso.” Em outras palavras, é a construção de relações interpessoais baseadas em respeito, transparência e empatia, e isso em ambientes empresariais faz com que você e seu time se sintam seguros para interagir, contribuir, performar e tomar riscos sem medo de punições.
 
Mas por que é necessário construir ambientes em que as pessoas não sintam medo?
Quantas vezes você ou algum conhecido já deixou de dar uma opinião em seu trabalho ou tirar alguma dúvida com medo de ser julgado por isso? Ou quantas vezes você deixou de tentar algo novo com medo de cometer algum erro e ser punido por isso? Infelizmente, essas situações são bem comuns em alguns ambientes empresariais.
 
O problema é que o medo excessivo paralisa as pessoas e bloqueia a nossa capacidade de aprender, colaborar e, muitas vezes, silencia o nosso poder de fala. Isso, além de prejudicar o desenvolvimento e saúde mental do indivíduo, prejudica o andamento do time.
 
É necessário trabalhar na construção de ambientes seguros porque fundamentalmente eles desconstroem os chamados ambientes tóxicos e os impactos disso na vida e performance das pessoas. Vale ressaltar que quando falamos “ambientes de medo” não são espaços físicos e, sim, culturais, a forma com que nós nos relacionamos.
 
A partir da construção de relações baseadas em transparência e respeito, segurança psicológica fortalece os laços de confiança, o que aumenta o nível de engajamento e produtividade, diminui taxa de turnover e contribui na geração de ideias criativas e inovadoras.
 
Sabemos que muitas empresas são resistentes em investir em projetos de transformação cultural por medo ou preconceito de não terem como mensurar resultados imediatos e por não acreditarem na eficiência de algumas práticas. Por isso é importante desconstruir os vieses em relação à construção de culturas psicologicamente seguras.
 
Segurança psicológica não é ser legal e passar a mão na cabeça de todo mundo, é simplesmente respeitar as pessoas pelo que elas são, independentemente de suas diferenças ou ideias divergentes. Também não é porque você evita julgamento que estará evitando conflitos.
 
Na verdade, segurança psicológica incentiva a tirar o peso pessoal e emocional do conflito e transformar isso em uma argumentação produtiva ou construtiva, que é quando eu tenho uma ideia, alguém discorda dela e, a partir disso, a gente pode argumentar para tentar entender o ponto de partida dessas opiniões e, assim, conseguir aprender e evoluir a partir daí.
 
Outro ponto que é muito importante ser ressaltado é que o conceito não te diz para ignorar os erros. Quando se diz que para se ter inovação tem que errar rápido, não é ignorar os impactos dos erros, mas, sim, tirar o peso da punição e focar sempre em aprender a partir dele.
 
Por último, muito se confunde segurança psicológica com inteligência emocional. Inteligência emocional é uma habilidade individual que fala sobre o modo como eu reajo a certas situações e como me relaciono com os outros a partir disso. Segurança psicológica é como o grupo interage e se relaciona. Então, os conceitos são interligados porque a inteligência emocional do indivíduo interfere na capacidade de construir e colaborar em ambientes seguros.
 
Como construir ambientes psicologicamente seguros?
 
De acordo com o PhD e autor do livro “The 4 stages of psychological safety”, Timothy R. Clark, segurança psicológica é construída através da progressão de 4 estágios que garantam que o indivíduo se sinta: incluído, seguro para aprender, seguro para contribuir e seguro para questionar o status quo. É importante entender essa construção como uma progressão, de forma que precisamos progredir e evoluir o nível de segurança psicológica em cada estágio para que seja possível avançarmos para o próximo.
 
No entanto, no momento em que estamos vivendo, no qual os sentimentos de medo, insegurança, solidão e vulnerabilidade tomaram conta da população, é necessário focar em construir a base desse ambiente seguro nos concentrando em dois pontos principais: assegurar a saúde mental dos indivíduos do grupo e estabelecer uma comunicação clara, objetiva e transparente com os demais.
 
Por mais que a saúde mental afete o colaborador de forma individual, problemas com estresse, ansiedade e pânico afetam diretamente a forma com que o indivíduo trabalha, contribui e se relaciona com o resto da equipe, o que pode impactar na performance do todo. Assim, é importante que se crie uma rotina, que reuniões e atividades sejam incluídas na agenda do grupo para trabalhar a saúde mental das pessoas, e que os colaboradores se “cuidem” e se importem com saúde mental dos outros.
 
O segundo ponto é a comunicação. Se a comunicação não for trabalhada para de fato alinhar, organizar e esclarecer as informações para a equipe, isso pode gerar mais insegurança, problemas de interpretação e afetar o resultado das entregas.
 
É necessário que o líder alinhe as expectativas e demandas com seu time, divulgue a agenda de atividades e reuniões com antecedência para que as pessoas possam se preparar. Em reuniões, alinhar no início quais os objetivos e o propósito daquele encontro, que passe as informações com maior transparência possível para que as pessoas tenham confiança nas atitudes e no comportamento do líder. Agir como guia e exemplo contribui para que os colaboradores comecem a se comportar e contribuir da mesma forma.
 
Incorporando essas práticas e comportamentos diários na rotina da equipe, vamos construindo, de forma colaborativa, esse sentimento de que o time é um lugar seguro.

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